ADHEMAR FERREIRA DA SILVA
A história
Na tarde de 23 de julho de 1952, ele encontrou sobre a mesa um bolo no lugar e seu prato predileto. No bolo, a inscrição "16.22 M".

Quando Adhemar entrou no refeitório olímpico reservado aos atletas brasileiros, na tarde quase noite de 23 de julho de 1952, encontrou sobre a mesa um bolo no lugar de seu prato predileto. No bolo, a inscrição "16.22 M".

Era uma singela homenagem da cozinheira finlandesa ao homem que quebrou por quatro vezes na mesma tarde o recorde mundial do salto triplo. Antes da prova, ele pediu à cozinheira um prato especial para sua volta: bife com salada.

Adhemar era filho de um operário ferroviário, Antonio Ferreira da Silva, e de uma cozinheira, Augusta Nóbrega da Silva, que moravam no bairro da Casa Verde, em São Paulo. Nasceu em 29 de setembro de 1927 e muito cedo já tinha de acompanhar os pais na atribulada vida da então provinciana capital paulista.

Para atravessar o rio Tietê era preciso passar a Ponte Grande, que ligava o bairro de Santana e boa parte da zona norte da capital ao centro. Naquela região estavam concentradas algumas praças de esporte que, nos fins de semana, atraiam milhares de pessoas para a várzea formada pelo então sinuoso rio Tietê.

Adhemar vivia nesse lufa-lufa diário com seus pais, atravessando sempre a Ponte Grande e espiando os campos sem fim, onde homens corriam atrás de bolas ou saltavam, no que chamavam de 'pedestrianismo'. Naquela época, pensava em jogar futebol.

Era um menino magro de pernas finas e compridas, que ocupava seu tempo livre ajudando seus pais a engrossar o dinheiro que era pouco, o que o mantinha longe das ruas e de confusões.

Acervo da família